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On 28 May 2026, WONCA President Prof Viviana Martinez-Bianchi took part in “Saúde Rural em Evidência: Desafios, Avanços e Perspectivas”, an event held in Brasília to mark the first anniversary of Brazil’s Programa Saúde no Campo. She attended as a guest of SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) and the CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Photo: Dr Dora Bernal (far left) and Prof Viviana Martinez-Bianchi (second from right) with fellow speakers at the conference.
The meeting brought together leaders, experts and stakeholders working to improve health in rural communities. Discussion covered both the progress made under the programme and the continuing challenge of ensuring equitable access to care for people living and working in rural areas.
Two WONCA speakers addressed the conference. Dr Dora Bernal spoke on behalf of WONCA CIMF, the organisation’s Ibero-American region, bringing a regional perspective on rural and community health across Latin America. Prof Viviana Martinez-Bianchi spoke as WONCA President on the importance of rural health for the global family of family doctors.
Photo: Speakers and organisers at “Saúde Rural em Evidência”, Brasília.
A shared commitment to rural health
Photo: Prof Viviana Martinez-Bianchi addresses the conference.
In her address, Prof Martinez-Bianchi set out why rural health matters to WONCA and its members. She noted that almost half of the world’s population lives in rural areas, yet these communities continue to face higher rates of poverty, less access to health services, more occupational illness and fewer health professionals. In many countries, she said, people must travel for hours to reach a health centre, and pregnant women, older people, rural workers, indigenous peoples and whole families face daily obstacles to basic care.
She argued that there can be no universal health coverage without strong primary care in rural areas, and no strong primary care without family doctors, multidisciplinary teams, community health workers, nurses and committed local leaders. Family medicine, she said, has a distinct role in rural settings, where doctors often care for the same families and communities across generations and build the trust that supports good care.
Prof Martinez-Bianchi also pointed to the global rural health workforce shortage, and the need for investment, rural training, decent working conditions, digital connectivity, appropriate telemedicine, infrastructure, academic support and sustainable public policy. She welcomed initiatives such as Saúde no Campo as examples of solutions built with rural communities rather than only for them, and recognised Brazil’s long experience and leadership in primary care and community health.
She closed on a simple conviction: that strengthening rural health strengthens whole countries, families, economies, democracies and hope. The full text of her speech, delivered in Portuguese, appears in the appendix below.
Photo: Prof Viviana Martinez-Bianchi speaking at the conference, with the panel seated alongside.
Opening message from SENAR
The conference opened with a message from SENAR leadership, which framed rural health as part of Brazil’s wider development. Their statement described the Saúde no Campo programme as a structuring strategy for rural health, integrating care, education and territorial management, and connecting people, services and technologies. Caring for health in rural areas, the message said, is an investment in development, productivity and dignity, and a concrete way of caring for Brazil.
Photo: The conference drew a full auditorium in Brasília.
Visit to SBMFC
After the conference, Prof Martinez-Bianchi visited the headquarters of the Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), where she met its communications director, family doctor Brenda Costas, and the secretariat team.
Photo: Prof Viviana Martinez-Bianchi with the SBMFC team during her visit.
Watch the event
A recording of the conference is available on YouTube: Evento: Saúde Rural em Evidência.
WONCA thanks SENAR and CNA for the invitation and for their hospitality, and looks forward to continued partnership and collective action in support of rural health in Brazil and beyond.
Appendix: full text of Prof Martinez-Bianchi’s speech
Delivered in Portuguese in Brasília on 28 May 2026.
Queridos colegas, autoridades, amigas e amigos,
É uma grande honra estar hoje aqui em Brasília, representando a WONCA, a Organização Mundial dos Médicos de Família, que reúne mais de meio milhão de médicos e médicas de família em 140 países do mundo.
Quero agradecer profundamente à CNA, ao SENAR, aos nossos colegas do Brasil, Erica Caglairi, e a todos que tornaram possível este importante encontro sobre saúde rural.
Porque falar de saúde rural não é falar de um tema periférico.
Falar de saúde rural é falar de justiça.
É falar de equidade.
É falar do direito das pessoas de viver uma vida saudável e digna, independentemente de onde nasceram ou de onde trabalham.
E hoje, mais do que nunca, o mundo precisa falar de saúde rural.
Quase metade da população mundial vive em áreas rurais. No entanto, essas comunidades continuam enfrentando maiores taxas de pobreza, menor acesso aos serviços de saúde, mais doenças ocupacionais, mais barreiras geográficas e menos profissionais de saúde.
Em muitos países, as pessoas precisam viajar horas para chegar a um centro de saúde.
Mulheres grávidas, pessoas idosas, trabalhadores rurais, povos indígenas e famílias inteiras enfrentam obstáculos cotidianos para acessar cuidados básicos.
E, ainda assim, as comunidades rurais alimentam o mundo.
Sustentam nossas economias.
Protegem tradições, culturas e conhecimentos ancestrais.
A saúde rural não pode continuar invisível.
Na WONCA, acreditamos firmemente que não haverá cobertura universal de saúde sem uma atenção primária forte nas áreas rurais.
E não haverá atenção primária forte sem médicos e médicas de família, equipes multidisciplinares, agentes comunitários, enfermeiros e lideranças locais comprometidas com suas comunidades.
A medicina de família tem uma capacidade única nos contextos rurais.
Porque não tratamos apenas doenças.
Conhecemos pessoas.
Conhecemos famílias.
Conhecemos comunidades inteiras ao longo do tempo.
Construímos confiança.
E essa confiança salva vidas.
Nas áreas rurais, muitas vezes o médico ou médica de família acompanha gerações inteiras.
Está presente no nascimento de uma criança, no cuidado de uma pessoa com diabetes, em uma emergência, em uma crise de saúde mental e também nos momentos mais difíceis da vida.
Isso é continuidade.
Isso é cuidado humano.
Isso é atenção primária de verdade.
Mas também precisamos ser honestos.
O mundo enfrenta uma enorme crise da força de trabalho em saúde rural.
Muitos jovens profissionais querem servir, mas encontram sistemas que não apoiam o trabalho rural.
Precisamos de investimento.
Precisamos de formação rural.
Precisamos de condições dignas de trabalho.
Precisamos de conectividade digital, telemedicina apropriada, infraestrutura, apoio acadêmico e políticas públicas sustentáveis.
E precisamos deixar de pensar que a saúde rural é uma versão “menor” da saúde urbana.
A saúde rural exige excelência.
Exige inovação.
Exige liderança.
E exige ouvir as vozes das comunidades.
Por isso, celebro profundamente iniciativas como o “Saúde no Campo”.
Porque as soluções reais nascem quando trabalhamos junto das pessoas e não apenas para as pessoas.
As melhores políticas de saúde rural são aquelas construídas a partir do território.
Da experiência vivida.
Do conhecimento comunitário.
Hoje também quero reconhecer algo muito importante:
A saúde rural não é apenas um desafio técnico.
É um compromisso moral.
A maneira como cuidamos das nossas comunidades rurais reflete os nossos valores como sociedades.
Reflete quais vidas consideramos importantes.
E, na WONCA, queremos ser muito claros:
Cada pessoa, em cada comunidade rural do mundo, merece acesso a uma atenção primária de qualidade, próxima, contínua e humana.
Esse deve ser o nosso compromisso coletivo.
Colegas,
Vivemos tempos complexos.
As mudanças climáticas afetam de forma desproporcional as comunidades rurais.
As crises econômicas aumentam as desigualdades.
A desinformação ameaça a confiança pública.
E muitos sistemas de saúde estão exaustos.
Mas também vivemos tempos de oportunidade.
Nunca tivemos tantas possibilidades de colaboração global, inovação tecnológica e aprendizagem compartilhada.
A pergunta é:
Teremos a vontade de priorizar a saúde rural?
Teremos a coragem de investir onde historicamente houve abandono?
Teremos a visão de construir sistemas de saúde verdadeiramente centrados nas pessoas e nas comunidades?
Eu acredito que sim.
Porque vejo essa vontade nesta sala.
Vejo nos trabalhadores rurais.
Vejo nos profissionais de saúde.
Vejo naqueles que continuam acreditando que a saúde é um direito humano fundamental.
E vejo especialmente no Brasil, um país com enorme experiência, criatividade e liderança em atenção primária e saúde comunitária.
Quero terminar com uma convicção muito simples:
Quando fortalecemos a saúde rural, fortalecemos países inteiros.
Fortalecemos famílias.
Fortalecemos economias.
Fortalecemos democracias.
E fortalecemos a esperança.
Muito obrigada.